domingo, 10 de julho de 2011

Harmonias melódicas

Esse exercício tinha como objetivo estudar harmonias melódicas. É bem clara a relação da música com a pintura, como eu já falei uma vez; fazendo uma relação com a música, eu estaria compondo a melodia - o humor, o ritmo tonal - da pintura.

Pra ser mais claro, harmonia melódica, na pintura, é estudar a harmonia de tons de uma mesma gama. Ou seja, compor uma pintura com a predominância de uma gama; isso também poderia ser chamado de uma composição monocromática. Depois de estudar escalas tonais, o próximo passo seria a união do tom com a gama.

Seguem os exercícios abaixo. O primeiro deles é uma cena de Sandman, em que Morpheus está triste com (spoiler). Escolhi a cor azul por razões óbvias: mais fria, distante, triste. O segundo é um estudo de gama de um pântano, feito com lápis aquarelável. Observem que eu usei vermelho e azul para escurecer o verde, o que já dá o gancho para o próximo passo: harmonias.




quarta-feira, 6 de julho de 2011

A palavra é... Ética

Hoje, quero discutir sobre o processo de criação e produção de uma página que foi publicada no caderno Galera JC no Jornal do Commercio, do dia 25 de junho.



Chegou pra mim o texto pronto, que vocês podem ler na imagem acima. Eu não sei se existe uma técnica ou um consenso entre ilustradores quanto a isso, mas eu costumo pensar que uma ilustração para um texto pode ter duas relações com ele:
1) suporte, que seria a ilustração que pode usar ou (1) a idéia geral do texto ou (2) um trecho específico como base conceitual, ou;

2) expansão, que seria usar o texto ponto de partida, e expandir o conceito, tanto de maneira abstrata ou mais tangível, mas não se limitando por ele

Nesse caso, eu optei pela expansão do conceito de ética. Primeiro, o público-alvo, infantil, não me permitia fazer algo muito abstrato. Depois, como vocês podem ler, o texto dá várias "cenas" exemplificando a ética, mas nenhuma das quais eu achei que ficaria legal. Isso em impedia de usar a ilustração na função de suporte, então, fui para a expansão. Ética é uma coisa difícil de se definir; tanto que no campo da filosofia, há intensas divergências ao longo da história. De qualquer maneira, o texto sugere uma idéia de ética, em linhas gerais, como ajudar ao próximo.

Decidi fazer um grupo de crianças trabalhando juntas para a realização de algo. Eu gosto quando a ilustração é bem integrada ao texto, ou ao título, no caso. Como o título da matéria era "A Palavra é... Ética", eu decidi ilustrar as crianças, todas juntas pintando um cartaz com a palavra "ética" escrito. Eu, idiotamente, rasguei esse rascunho, mas o principal problema dele, era que eu havia pensado numa perspectiva quase que aérea. Isso dificultou bastante o posicionamento das crianças, porque elas ficariam na frente do cartaz, ocultando a palavra ética. Além disso, Gabi disse que não tinha nada a ver me disseram que o conceito estava meio distante.

Tentei, ainda, mudar pra uma vista frontal, com as crianças pintando o cartaz na parede, algumas usando uma escada para pintar algo bem alto, mas também mantinha os dois problemas. Me sugeriram fazer montando a palavra. Achei uma boa idéia, e decidi que eu poderia fazer a palavra "ética" formada por blocos a as crianças construindo-a.

Esboço inicial e as primeiras fases da digitalização


Fiz a palavra com a tipografia que seria mais fácil para subdividir em blocos, coloquei um efeito 3D tosco no Illustrator, imprimi e comecei a desenhar as crianças montando os blocos. Depois, eu escaneei e finalizei as linhas. Não foi difícil, quando eu comecei, notar que seria um saco fazer a palavra divida em vários blocos "aleatoriamente". E eu até tentei.

Então, eu decidi fazer a palavra, realmente com blocos. Eu poderia desenhar cada bloco, e seria um exercício interessante de perspectiva e paciência. Mas, como eu não tinha tanto tempo, eu fiz como eu gostaria no 3Ds Max, renderizei, e coloquei na minha ilustração.


Primeiros renders e integração com o resto da ilustração. A partir daí, fui começando a trabalhar a iluminação de todos


Isso ajuda muita coisa, mas gera demanda de outro tipo de trabalho: trabalhar para equalizar a iluminação, o tom, enfim, integrar a imagem para não parecer uma colagem [BOLD]tão destoante (a não ser que seja essa a intenção, que não era). Eu quis, sim, deixar um pouco diferente, para que ficasse destacado.

Então, eu fui trabalhando os personagens e a palavra, quase que simultaneamente. Ainda tinham os blocos no chão, que eu pensei em usar do Illustrator e pintar por cima. Não deu certo. Além de pintar a cor por cima, eu realcei as luzes e sombras. Veja que o C e o A não foram pintados ainda. Eu dei um realce maior na iluminação, aumentando o contraste


Eu ainda tentei fazer os blocos de cores diferentes, deixando bem colorido, mas ia dar muuuito trabalho, também, e eu não dispunha de tanto tempo. Daria trabalho porque eu teria que retrabalhar as luzes e sombras de acordo com cada cor de bloco, e pra escolher as cores e atingir um equilíbrio legal, também seria puxado. Com relação ao fundo, eu escolhi o verde para dar mais contraste ao vermelho dos blocos, destacando a palavra (sim, eu fiquei com medo da palavra passar despercebida).

Não consegui deixar do mesmo estilo, e nem era necessário. Fiz outro render só com os cubos soltos, e integrei-os também. De novo, trabalhando a luz, integrando.

Render dos cubos soltos e antes e depois deles serem integrados na ilustração


Agora, fui refinando. Coloquei umas texturas, clareei um pouco (porque sempre escurece bastante na impressão), entre outras coisinhas. Ta-dá! Pronto. Foi só colocar na página. Aí eu coloquei o verde clareando, quase num degradê, pra o texto ir entrando embaixo.



Eu acho que a palavra ainda não ficou com uma visibilidade tão boa, no final das contas. Eu tive que dar uma ajeitada no acento, afastar um pouco da letra, pra deixar mais visível. Também, no dia seguinte de a ilustração ter saído, eu vi essa fonte: http://www.typegoodness.com/2009/09/lego-type/ que era EXATAMENTE o que eu queria, na verdade. É bem visível, é feita de lego, e, bom... acho que deu pra notar que ela seria ideal. Mas de todo jeito, não tem pra download, então, não daria pra usar ela, mas serviria de referência.

Mas o resultado final foi esse, e pronto!

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Caixa de fósforos - Light my fire

Esse foi um projeto muito interessante e difícil de fazer, e eu queria dividir o processo de realização dele com vocês :)
Ele foi feito juntamente a Gabriela Araujo e Ana Elisa



Fotos do trabalho finalizado. A foto de cima é a caixa e a de baixo é uma foto do verso da caixa


Antes de tudo, vamos à proposta. O trabalho era fazer um produto gráfico que usasse algum método "manual" de impressão: carimbo (de materiais alternativos, inclusive), stencil, tipografia, entre outros.

Nossa idéia era produzir uma caixa de fósforo com estilo bem vintage, com um pedaço da letra de The Doors, Light my fire (o trocadilho é óbvio) "Come on, baby/Light my fire". Fizemos um layout simples digital, tendo em mente todas as dificuldades que teríamos para realizar a impressão, e fomos testar.

Em geral, nós tivemos um único problema: cortar o que iria ser impresso, porque iríamos ter que reproduzir tipos e formas pequenas em outros materiais mais rústicos, por assim dizer. Lógico que as dificuldades mudaram de acordo com o material. O tamanho da face da caixa é aproximadamantente 11x6,5 cm.

Inicialmente, pensamos fazer isso com carimbos de EVA (emborrachado). Mas tivemos três problemas:

1) como nós usamos um EVA muito fino, ele se tornava dificílimo de carimbar; pior ainda depois de cortado. Mesmo quando nós o colamos em uma outra base, pra servir como um tipo móvel de metal, não funcionou bem

Tipo de metal. Nossa idéia era usar o emborrachado como a parte a ser impressa e outra superfície como se fosse o "corpo" do tipo, seguindo o mesmo princípio


2) a textura que o EVA deixa é muito bonita, mas fica pouco interessante na hora de imprimir um texto que, a princípio, deve ser legível, como era o nosso caso; o mais interessante para um EVA é fazer uma textura tipográfica, com sobreposição e etc.
Veja como saiu sujo e as bordas irregulares. Como texto, é estranho, mas uma textura visual feita dessa maneira, ficaria interessante, sem dúvidas


3) o tamanho das letras era bem pequeno, o que tornava difícil cortar nesse material com precisão, o que significa que o acabamento não ficou tão bom

Note como o acabamento ficou estranho no corte. Além disso, carimbar com essa coisa fina facilitaria muito sujar a impressão, além das falhas

Depois disso, partimos para tentar fazer stencil. Nós tentamos fazer o stencil com o material mais simples possível, e passamos por cortiça, papelão e papel vegetal. Os dois primeiros eram muito ruins de cortar, o que tornava o tipo impreciso e feio, e o papel vegetal, o melhor até então, era muito frágil, e o stencil só resistia a uma aplicação de tinta acrílica, porque absorvia muita água.

Chegamos, finalmente ao papel duplex: ele resistia o suficiente à água e não era tão duro de cortar, possibilitando uma precisão razoável no desenho da letra.

Vejam o stencil. Ele está coberto de tinta acrílica, mas veja como as bordas estão muito mais coerentes, e o desenho bem mais interessante que no EVA


Prontos os primeiros stenceis, fomos testar imprimí-los. Usando pincel, não funcionava, porque ele mexia muito no stencil, borrando. Testamos com esponja, o resutado foi melhor, e, por fim, usamos um rolo de esponja.

Com relação à tinta, usamos a tinta acrílica. Testamos diluí-la um pouco, para ficar mais fácil passar a tinta; entretanto, qualquer pingo d'água fazia com que a tinta escorresse pelo stencil e borrasse, também.


Light impresso com muita força. Como o rolo absorve muita tinta, se nós pressionássemos muito forte, a tinta escorreria por debaixo do stencil


Ainda assim, tivemos que testar várias e várias vezes, e vários testes deram errado, pois não podíamos passar o rolo de tinta com força, se não também borraria.

Algumas das folhas que deram errado e se tornaram testes


Por fim, conseguimos algumas impressões satisfatórias, depois de testar muito. Conseguimos até fazer um degradê, misturando a tinta no próprio rolo.






Entre algumas sugestões a serem testadas, poderíamos dizer pra testar outros materiais como stencil, como transparências (aquelas, em que eram impressas as projeções), mas eu acredito que elas são ruins de cortar. Uma técnica que poderíamos ter usado era sobre posição de cores; nós até testamos deixar a tinta mais transparente, usando o gel acrílico, mas era necessário testar mais do que nós tínhamos tempo.

De qualquer maneira, ficamos satisfeitos com o resultado :) espero que gostem!

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Natureza morta à aquarela

Mais um exercício de percepção visual, com intenção de praticar iluminação de novo. Dessa vez, foi com aquarela. Um pouco mais demorado, também, levou por volta de 2 horas.



E um macro, pra deixar mais interessante :D

terça-feira, 21 de junho de 2011

Quickies

Tenho feito uns exercícios mais rápidos, pra desenvolver a velocidade e aprender a trabalhar melhor com machas e com percepção visual.

Esses 3 primeiros, foram feitos com carvão, usando uma ferramenta muito interessante, em que você pode programar o tempo e o tipo de figura humana que você quer, pra fazer desenhos gestuais: http://www.pixelovely.com/tools/gesture.html Todos foram feitos em menos de 10 minutos





Já esse outro foi feito com modelo vivo, para treinar iluminação e percepção. Foi muito interessante, porque ficou parecido com o modelo, para a minha surpresa! Feito com guache.

sábado, 11 de junho de 2011

Tonal keynotes


An exercise about tonal keys. The tonal keynotes, are the contrast of lights and darks on the composition.



I tried to simplify the landscape from Assassin's Creed: Revelations trailer and compose it on medium dark keynote.


This one was composed on high dark keynote. I tried to keep as loose as I could, capturing only the tones rather than the form.

terça-feira, 7 de junho de 2011

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Trying to learn all over again. I'm pretty rust, so I've got to start drawing